Editorial

A revista Invenire, lançada em finais de 2010 com o desígnio de partilhar e difundir o património cultural e artístico da Igreja em Portugal, completa com este número a sua 5ª edição. Ainda que com um breve percurso, apraz-me registar a já longa lista de artigos publicados, para lá de uma centena, articulando temas da actualidade, numa vertente informativa, estudos especializados, de relevância científica e assentes em pesquisas originais, mas também contributos temáticos, de opinião e projectos diocesanos de Bens Culturais.

Prosseguindo os seus objectivos, apresenta-se neste número o resultado de três investigações da autoria das historiadoras Isabel Cepeda, Sílvia Ferreira e Cristina Fernandes, que se debruçam, respectivamente, sobre uma rica colecção de livros de coro quinhentistas, o papel do desenho no processo criativo da talha dourada, e a impressionante actividade musical da igreja Patriarcal de Lisboa.

Com um Portfolio temático dedicado à estatuária barroca, onde se apresenta uma selecção de peças ilustrativas do longo ciclo produtivo de Setecentos, propõe-se ainda o conhecimento de um conjunto de obras de arte oriundas de várias dioceses: a intervenção na importante série de pinturas quinhentistas da igreja matriz de Freixo de Espada à Cinta; a análise de uma singular imagem de São Jorge em Elvas, validada por novos contributos documentais; a interpretação iconológica de uma escultura São Sebastião, venerada no Alto Alentejo; e a apresentação de uma tela de Pedro Alexandrino, para a igreja da Memória, em Lisboa, obra referencial da pintura portuguesa, ausente do seu local de origem durante quase três décadas.

Num esforço de adaptação às solicitações do público interessado, iniciamos também neste número a rúbrica “Perfil”. Dando a conhecer os mais directos intervenientes no património da Igreja em Portugal, seu trajecto, desafios e aspirações, o jornalista Luís Filipe Santos inaugura esta nova secção com uma entrevista a Artur Goulart, responsável por um dos projectos de inventário mais bem sucedidos, o da Arquidiocese de Évora, e detentor de um longo percurso dedicado aos Bens Culturais.

Revelador da dinâmica em torno do património eclesial, sublinhamos, por fim, a crescente importância que tem vindo a assumir a secção de “Projectos”, entre as opções editoriais da Invenire. Difundindo iniciativas de salvaguarda e intervenções de valorização nas várias dioceses, damos conta de um conjunto de acções nas àreas do arquivo, da divulgação, do inventário, da formação e da reabilitação.

Encerra este número um assertivo artigo de opinião assinado por D. Pio Alves, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, a que se segue a habitual selecção das mais recentes publicações em matéria de Bens Culturais da Igreja, particularmente aquelas consagradas ao estudo e divulgação do património religioso nacional.

 

Sandra Costa Saldanha

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