Editorial

A inacessibilidade que caracteriza um vasto conjunto de património da Igreja no nosso país, aliada à necessidade de assegurar a abertura regular dos templos, constitui preocupação de longa data. A problemática da abertura das igrejas é por isso objecto de análise no caderno temático deste 6º número da Invenire. Carlos Godinho começa por apresentar uma assertiva reflexão em torno da simbologia da “porta”, o acesso que desejamos disponível na recepção aos fiéis, peregrinos ou visitantes. Temática a que não é alheia a ineficácia dos meios de comunicação, salienta-se também a necessidade de requalificar o acolhimento nos templos, as visitas e os materiais informativos disponibilizados. Rui Almeida traça um ponto de situação sobre o tema, destacando casos bem sucedidos neste processo de valorização, conhecimento e fruição do património eclesial.

Como habitualmente, dão-se a conhecer algumas obras do património religioso português, nas rúbricas de investigação e destaques, com estudos da autoria de diversos especialistas, resultado de trabalhos académicos ou de recentes intervenções de restauro.

Maria de Lurdes Craveiro salienta o papel de D. Jorge de Almeida na renovação espiritual e artística da diocese de Coimbra; Vitor Serrão dá conta da recente descoberta de um conjunto de tábuas quinhentistas, na igreja de São Miguel de Alfama; de Silves, novos contributos nos chegam para o conhecimento da importante colecção de livros de visitações da antiga Sé; Maria do Carmo Mendes, resgata do esquecimento a livraria do extinto convento de São Francisco na Covilhã; Ana Bidarra e Pedro Antunes, revelam-nos as obras por detrás dos repintes do belíssimo tecto da capela-mor da matriz de Santar.

Em Portfolio sobre a diocese do Funchal, o historiador Rui Carita conduz-nos numa "aproximação ao mar", através de um notável conjunto de navetas maneiristas, e na recente rúbrica "Perfil", dedicada nesta edição a D. Carlos Azevedo, o prelado destaca o sentido da arte cristã, dando-nos ainda conta do seu trajecto, desafios e aspirações, enquanto responsável pelo Departamento de Bens Culturais no Conselho Pontifício da Cultura.

Lugar também para a apresentação de um conjunto de projectos diocesanos em curso - Angra, Braga, Évora, Lisboa, Setúbal e Viseu - reflexo da diversidade e das dinâmicas de actuação neste domínio, nas áreas da museologia, conservação, restauro, arquivística e divulgação do património eclesial português.

Na habitual rúbrica de opinião, António Marujo elege como tema da sua reflexão o que considera ser uma “obsessão bíblica” na pintura de Marc Chagall, que o autor compara à “tradução de um universo simbólico”.

Encerra este número uma selecção de estudos e monografias dedicadas aos Bens Culturais da Igreja, e inaugura-se um espaço de recensões, oferecendo ao leitor uma análise crítica de algumas das mais recentes obras publicadas.

Sandra Costa Saldanha

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