Editorial

A vastidão e relevância do património artístico produzido pela Igreja Católica ao longo dos séculos, tem-se traduzido numa gritante proliferação de iniciativas em torno do tema da “Arte Sacra”. Perfilhada pelo mais variado tipo de organismos, nem sempre tem sido fácil transmitir a especificidade dessas obras, em abordagens submersas pela trivialidade do confronto da Fé, com a mera fruição. Não basta, pois, que a obediência ao religioso ocorra pela identificação de determinada temática, mais ou menos piedosa. E, nesse sentido, tem a revista Invenire procurado oferecer aos leitores uma perspectiva integrada.

Com a edição deste 7º número, cumprem-se três anos desde o seu lançamento. Referência na divulgação do património cultural português, tem constituído um importante veículo para o conhecimento e valorização dos Bens Culturais da Igreja.

Neste número, em particular, começaria por relevar a preponderância historiográfica dos artigos publicados, não apenas pela sua qualidade, como pelo ineditismo das obras apresentadas. Iniciando-se com uma abordagem dedicado ao universo do mecenato artístico quinhentista, Carla Alexandra Gonçalves conduz-nos por entre algumas das mais notáveis realizações escultóricas coimbrãs. Com dados inéditos, Maria Luísa Jacquinet distingue o papel do arquitecto oratoriano Manuel Pereira (C.O.), e oferece-nos uma nova interpretação sobre a sua obra.

Em destaque, Francisco do Valle de Castro dá a conhecer a surpreendente igreja de Santa Iria, em Tomar; e Ruy Ventura, concentrado na riqueza iconográfica de uma rara figuração do Trânsito de Santo António, não deixa de salientar o estado de abandono a que se encontra votado o antigo convento que a alberga. Divulgando um conjunto de obras inéditas, da autoria de importantes mestres europeus - o veneziano Francesco Trevisani, o genovês Anton Maria Maragliano, e o celebrado pintor lisboeta António Manuel da Fonseca - encerram esta secção três estudos de assinalável relevância.

Com um Portfolio dedicado à diocese de Viana do Castelo, Paulo Almeida Fernandes propõe uma viagem pelo universo fantástico da iconografia românica, numa selecção de obras de escultura dispersas por terras do Alto Minho. Em perfil, salienta-se o trajecto da museóloga Isabel Fernandes, em particular a sua intervenção nos diversos projectos de Bens Culturais da Igreja.

Espaço ainda para a apresentação de algumas das mais recentes iniciativas diocesanas em matéria de Bens Culturais: a emergência da intervenção na igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra; os trabalhos de recuperação e valorização na igreja dos Clérigos, no Porto; e o estudo científico da emblemática imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Fecha este número a habitual rúbrica de opinião, onde António Filipe Pimentel salienta o valor matricial e estratégico do património religioso da Universidade de Coimbra, recentemente classificada como Património Mundial pela UNESCO.

Sandra Costa Saldanha

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