Editorial

Num panorama alargado, é sabido que tarda a potenciar-se a investigação desenvolvida por um vasto leque de profissionais, em torno do património religioso. Trabalho que em muito beneficiaria a acção da própria Igreja, predomina ainda o alheamento face a uma realidade (aparentemente) periférica. Cimentada no entendimento de diversas áreas (como a Teologia, a Liturgia, a Iconologia, ou a História da Arte), reiteram-se abordagens superficiais, ausentes de massa crítica, que nada acrescentam às comunidades que fruem esses Bens Culturais. Não se trata, como tantas vezes se faz crer, de uma realidade paralela, nem restrita a um meio fechado, académico e indecifrável. Como em tantos outros domínios, um profissional competente adapta saberes a circunstâncias, adequa e vocaciona o seu discurso a diferentes públicos e formatos. Seja para isso convocado. Sem panegíricos nem hipérboles, transforma erudição em resultados concretos e inteligíveis, dirigidos a todos, mas assentes num conhecimento sólido, quando não, em anos de rigoroso trabalho, indispensável no processo de valorização e correcta interpretação de cada obra estudada.

Sendo um dos objectivos da Invenire divulgar estudos originais, alicerçados em novas interpretações e investigação inédita, relevo, necessariamente, o acolhimento que tem tido junto de um público muito alargado. Neste particular aspecto, tem a revista alcançado o seu desiderato, passados que são quatro anos desde o seu lançamento. Estimular a actualização de conhecimento, para além da mera divulgação, tem sido uma preocupação constante.

Esta 9ª edição começa por se debruçar sobre matérias de largo espectro: a reflexão de Ruy Ventura, em torno do processo de sacralização da Serra da Arrábida; e a análise de Gonçalo Couceiro, consagrada à produção azulejar da Fábrica Sant’Anna. Segue-se um Portfólio temático, dedicado a Santarém, onde Eva Neves e Joaquim Ganhão desvendam um pouco mais sobre o acervo do recém-inaugurado Museu Diocesano, reunindo um conjunto peças notáveis, oriundas daquele bispado escalabitano. Em destaque, quatro artigos oferecem ao leitor novas interpretações e dados actualizados sobre diversas obras, provenientes das dioceses do Funchal, Coimbra, Bragança-Miranda, Lisboa e Viseu. Espaço ainda para a divulgação de alguns projectos de salvaguarda e intervenções de valorização, nas áreas da conservação e restauro e da divulgação do património religioso. Fecha este número a habitual rúbrica de opinião, assinada por António Ponte, que salienta a preponderância da conservação e da comunicação, como meio de valorização do património cultural.

Sandra Costa Saldanha

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