Editorial

Entre a delapidação do património eclesial ou as controvérsias da conservação e restauro, passando pela insegurança, os furtos em igrejas, ou o cenário dos templos fechados, a Invenire tem procurado, entre outros desideratos, fomentar a abordagem a algumas áreas complexas dos Bens Culturais da Igreja. Alargando o debate à diversidade dos seus intervenientes, entre tantos outros assuntos plausíveis, destaca nesta 10ª edição a temática dos Museus da Igreja.

Realidade complexa, materializada em Portugal na meia centena de equipamentos com funcionamento regular, traduz assimetrias assinaláveis. Focando a sua especificidade e realçando um conjunto de casos bem-sucedidos, a consciência do caminho feito não escamoteia, porém, a realidade dominante, onde o amadorismo constitui, com raras excepções, a regra. A ausência de autonomia (institucional ou financeira) ou de recursos humanos estáveis enformam, entre outros factores, entraves à sua solidez e credibilidade. Raros são os museus capazes de administrar com eficácia os próprios recursos, potenciar equipamentos, captar novos públicos ou fluxos financeiros. Aos constrangimentos de gestão somam-se as dificuldades na montagem das colecções, na conservação e manutenção dos acervos.

No quadro de um desempenho que se deseja estruturante, mas atendendo, sobretudo, à sua identidade e missão específica, são particularmente inquietantes as lacunas no domínio educativo, muito aquém das reais valências do património (único) que encerram. Indissociáveis das necessárias ferramentas de informação, partilha e interpretação, anulam, em muitos casos, a sua própria existência e - aqui incide a reflexão - o seu papel enquanto museus eclesiais, ao serviço da Fé e da Cultura.

Como asseguram, pois, a função museológica, garantindo a conservação, inventariação, programação, divulgação e estudo das colecções? Como articulam a tal missão o indispensável discurso pastoral? Como se potenciam? Que função lhes atribuí a sociedade em geral?

Em torno destas e outras questões, propõe este número da Invenire uma reflexão concertada, com os contributos de diversos especialistas que, seja pela prática profissional, seja pelo contacto directo com a realidade das dioceses, partilham aqui algumas experiências concretas.

Sandra Costa Saldanha

Artigos Relacionados