Editorial

Inaugura este número 11 da revista Invenire uma panorâmica em torno da representação iconográfica do Paraíso, traçada por Maria Isabel Roque, no âmbito da arte cristã medieval.
Revelando um conjunto patrimonial pouco divulgado, Patrícia Monteiro elege, para o portfólio temático desta edição, uma série de retábulos de argamassas da diocese de Portalegre-Castelo Branco. Sublinhando a importância e riqueza desta tipologia retabular, a autora não deixa também de alertar para a emergente necessidade de conservação das obras, sujeitas a sistemáticas caiações e repintes.
Particularmente profícuos em novidades, são os quatro artigos que, em destaque, oferecem ao leitor o resultado das investigações dos seus autores.
Susana Varela Flor, Pedro Flor, Sílvia Ferreira e Carmen Olazabal Almada, no âmbito da intervenção de restauro levada a cabo na igreja de São Pedro de Peniche, abordam a renovação barroca do templo. Incidindo a sua pesquisa no fundo documental ali conservado, apresentam novos dados sobre o pintor Pedro Peixoto.
Ruy Ventura revela informação inédita sobre o recheio artístico da igreja quinhentista de Bordeira, em Aljezur. Oferecendo um novo olhar sobre as obras, divulga alguns dos impulsionadores da iniciativa, mas também os principais artistas envolvidos, como o pintor Manuel Fernandes Bulhão ou o entalhador Custódio de Mesquita.
Resultado da análise da documentação do arquivo da Ordem Terceira de São Francisco de Elvas, Mário Cabeças actualiza os estudos em torno da magnífica colecção de prataria, portuguesa e italiana, da autoria do elvense Domingos Queirós e do romano Giovanni Paolo Zappati.
Na mesma linha de abordagem, Lécio Leal, desvenda a primeira obra autógrafa e identificada do pintor Francisco Xavier Lobo, existente na igreja de Santa Maria da Devesa, em Castelo de Vide.
Em perfil, salienta-se nesta edição o percurso do bispo D. Pio Alves de Sousa, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais. Em entrevista conduzida pelo jornalista Luís Filipe Santos, sublinha o prelado a preponderância da abertura das igrejas, que considera constituírem, para muitos, uma primeira aproximação ao cristianismo.
Particular destaque merecem ainda alguns projectos diocesanos, mas também iniciativas concretizadas no quadro de projectos de investigação, particularmente relevantes, no que à qualificação da abordagem ao património eclesial concerne.
Atenta aos riscos a que se encontra sujeito o património cultural, cada vez mais vulnerável e ameaçado, Isabel Raposo de Magalhães alerta, em rúbrica de opinião, para a necessidade de implementação e reforço das políticas de prevenção.

Sandra Costa Saldanha

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